quarta-feira, 24 de junho de 2015

Tudo passa



Quando menos esperamos, descobrimos o quanto somos capazes. Desde o início da semana, estava eu a pensar sobre o quanto nos surpreendemos. Muitas vezes nos apegamos a tal ideia e, de tanto apego, não conseguimos mais sair “de lá”. O tal costume é muito mais comum do que pensamos. A velha frase “quando coloco uma coisa na cabeça, nada tira” é bem mais prejudicial do que podemos imaginar. Às vezes, colocar na cabeça, nos limita muito. Vamos agindo, com aquilo inconsciente, e o tempo passa e não percebemos que aquilo ficou lá atrás, que já não faz mais parte do presente. Quando descobrimos que aquilo não nos pertence mais, vem o medo. O medo do novo. É difícil lidar com mudanças. Os velhos hábitos, os velhos sentimentos, as velhas lembranças. Desapegar é uma das coisas mais difíceis que existe. Não aprendemos a desapegar nem quando o sentimento, a lembrança, é ruim. Aquilo vai nos corroendo, nos machucando, mesmo que quase sem sentir. Passam-se dias, meses, anos. Cada dia que passa, alimentamos o que está dentro da gente. É como uma planta: regamos todos os dias, senão ela morre. E quanto mais se rega, mais se tem. Tanto para o mal, quanto para o bem. Mas é exatamente isso que indago: e aquilo que achamos que alimentamos, mas na verdade está seco há tempos, e só não percebemos? Pois é, isto que pode ser surpreendente. Quando a gente acostuma tanto com aquilo, talvez queira tanto aquilo por uma necessidade totalmente egoísta, podemos não dar conta de que aquilo já secou faz tempo e que só tá faltando limpar o lugar onde sujou. Na verdade, o sentimento nem está ali mais, pois foi feito o inverso: ao invés de regar, fomos podando, sem perceber. O novo é difícil, muitas vezes complicado, porém pode ser bom. É uma nova chance para nos conhecer, aprender, quem sabe até errar de novo, mas é uma nova chance para nós. Cada um tem esse direito, o direito de tentar, de fazer diferente. O direito de deixar seguir em frente. Mas tudo tem sua hora, não adianta tentar apressar o tempo.  A hora de aproveitar, a hora de se magoar, a hora de saber se retirar, tanto faz. Cada dia é um novo dia, e em cada dia temos mais 24h para buscarmos a felicidade, que, afinal, é o que todo o ser humano busca nessa passagem pela Terra. A gente quer ser feliz, conviver e fazer o bem. Viver e semear o amor. O amor pela família, amor pelos amigos, pelo trabalho, pelo amante. O amor em suas diversas formas. O tempo faz com que aprendamos tudo isso, cedo ou tarde. É inevitável, muitas vezes ao longo da vida, a dor, a decepção, a traição, o medo, a angústia, o sofrimento em todas as maneiras. Mas, quando menos esperamos, percebemos que, realmente, tudo passa. E que um novo dia há de vir para escrever uma nova página nesse livro chamado vida.