Quando menos esperamos, descobrimos o quanto somos capazes.
Desde o início da semana, estava eu a pensar sobre o quanto nos surpreendemos.
Muitas vezes nos apegamos a tal ideia e, de tanto apego, não conseguimos mais
sair “de lá”. O tal costume é muito mais comum do que pensamos. A velha frase
“quando coloco uma coisa na cabeça, nada tira” é bem mais prejudicial do que
podemos imaginar. Às vezes, colocar na cabeça, nos limita muito. Vamos agindo,
com aquilo inconsciente, e o tempo passa e não percebemos que aquilo ficou lá
atrás, que já não faz mais parte do presente. Quando descobrimos que aquilo não
nos pertence mais, vem o medo. O medo do novo. É difícil lidar com mudanças. Os
velhos hábitos, os velhos sentimentos, as velhas lembranças. Desapegar é uma
das coisas mais difíceis que existe. Não aprendemos a desapegar nem quando o
sentimento, a lembrança, é ruim. Aquilo vai nos corroendo, nos machucando,
mesmo que quase sem sentir. Passam-se dias, meses, anos. Cada dia que passa,
alimentamos o que está dentro da gente. É como uma planta: regamos todos os
dias, senão ela morre. E quanto mais se rega, mais se tem. Tanto para o mal,
quanto para o bem. Mas é exatamente isso que indago: e aquilo que achamos que
alimentamos, mas na verdade está seco há tempos, e só não percebemos? Pois é,
isto que pode ser surpreendente. Quando a gente acostuma tanto com aquilo,
talvez queira tanto aquilo por uma necessidade totalmente egoísta, podemos não dar
conta de que aquilo já secou faz tempo e que só tá faltando limpar o lugar onde
sujou. Na verdade, o sentimento nem está ali mais, pois foi feito o inverso: ao
invés de regar, fomos podando, sem perceber. O novo é difícil, muitas vezes
complicado, porém pode ser bom. É uma nova chance para nos conhecer, aprender,
quem sabe até errar de novo, mas é uma nova chance para nós. Cada um tem esse
direito, o direito de tentar, de fazer diferente. O direito de deixar seguir em
frente. Mas tudo tem sua hora, não adianta tentar apressar o tempo. A hora de aproveitar, a hora de se magoar, a
hora de saber se retirar, tanto faz. Cada dia é um novo dia, e em cada dia
temos mais 24h para buscarmos a felicidade, que, afinal, é o que todo o ser
humano busca nessa passagem pela Terra. A gente quer ser feliz, conviver e
fazer o bem. Viver e semear o amor. O amor pela família, amor pelos amigos,
pelo trabalho, pelo amante. O amor em suas diversas formas. O tempo faz com que
aprendamos tudo isso, cedo ou tarde. É inevitável, muitas vezes ao longo da
vida, a dor, a decepção, a traição, o medo, a angústia, o sofrimento em todas
as maneiras. Mas, quando menos esperamos, percebemos que, realmente, tudo
passa. E que um novo dia há de vir para escrever uma nova página nesse livro
chamado vida.